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Motivos que fizeram Parasita ganhar o Oscar

 

Ao longo das últimas 92 edições do Oscar, apenas 11 outros filmes de língua estrangeira foram indicados a melhor filme. Nenhum tinha levado. Parasita mudou essa história, e além de ganhar como Melhor Filme, ainda venceu em Melhor Direção, Roteiro Original, é claro, Melhor Filme Internacional.

 

Não teve zebra. O filme já estava no radar da crítica há tempos. Já tinha vencido 361 prêmios antes de seus 4 Oscars. Entre eles a Palma de Ouro, o prêmio mais importante do festival de Cannes.

 

Mas o que torna Parasita tão importante a ponto de ter se tornado o grande filme de 2019? Separamos alguns motivos pelos quais o filme tem arrebentado nas premiações.

 

P.S.: Se você ainda não viu Parasita, recomendamos assistir ao filme e depois voltar para ler o texto, porque ele está naturalmente repleto de spoilers.

 

1 – O filme transita por vários gêneros cinematográficos

Pra começar, não tem como designar um único gênero para o filme. No Brasil, ele geralmente é classificado como suspense, mas está longe de ser parecido com um clássico de Hitchcock. Parasita transita entre quase todos os gêneros do cinema.

 

Começa como uma comédia. A maneira como a família Kim, paupérrima, se articula para trabalhar na casa dos abastados Park é uma fantasia feita para buscar o riso fácil. Ao mesmo tempo, Parasita mostra o drama e as dificuldades da família de baixa renda nas favelas de Seoul. E tem suas pitadas de romance, na relação entre Ki-woo, o tutor de inglês, e sua aluna Da-hye, e de aventura infanto-juvenil, quando os personagens precisam se esconder dos donos da casa.

 

É só na segunda metade do filme que o suspense e o terror chegam com força.

 

Essa mistura tinha 99% de chances de gerar confusão. Mas não é o que acontece. Parasita consegue percorrer todas essas emoções com maestria. Dá para rir, se assustar e chorar ao longo das duas horas de filme.

 

Se o longa não se limita a arquétipos, os personagens menos ainda. A família Kim é trapaceira, manipuladora, pouco provida de caráter; mesmo assim, você torce por eles.

 

2 – Faz crítica social com inteligência

O diretor Bong Joon-ho já havia apresentado diversas críticas e sátiras sociais em seus filmes anteriores, desde Cão Que Ladra Não Morde, seu primeiro longa. Parasita não é diferente. O filme é sobre desigualdade social, aparências, ilusão e o lugar que cada pessoa na sociedade.

 

Não faltam filmes assim. A diferença é que Parasita cumpre esse papel de forma inteligente. Às vezes, extremamente sutil. Um desses recursos como abordar o cheiro da família Kim, que não tem como ser maquiado pela encenação. Não há como transmitir cheiros pela tela, claro, mesmo assim, ele se torna um personagem que ressalta progressivamente as diferenças entres eles.

 

As duas famílias seguem num convívio harmônico, num jogo bom para ambas as partes – os Kim estão satisfeitos com seus salários; os Park, com os serviços prestados. Até que rola uma ruptura. O agente que escancara as barreiras sociais entre as duas famílias tem algo de bíblico: o dilúvio no final do filme. Os Park vêem a tempestade como uma bênção, já que a grama da mansão estava seca; os Kim perdem a o cubículo onde moravam e se veem desabrigados, praticamente só com as roupas do corpo.

 

E precisam continuar trabalhando como se nada tivesse acontecido.

 

Nos últimos anos, a crítica social tem sido um tema quase obrigatório aos vencedores de melhor filme do Oscar. Green Book (premiado em 2019) fala sobre racismo, enquanto Moonlight (2017) une homossexualidade à abordagem. Spotlight (2016) revela os escândalos de pedofilia da igreja católica. Até A Forma da Água (2018) usa fantasia para abordar o preconceito. Entre os indicados a Melhor Filme de 2020, Parasita é o que possui a crítica mais latente. Coringa, outro favorito, também levanta suas bandeiras sociais, mas não é um filme sobre isso.

 

3 – O filme tem grande apelo ao público

Um dos principais méritos do filme é tratar de temas importantes sem perder o caráter de entretenimento. Afinal de contas, não é qualquer um que se dispõe a ver um filme em preto e branco e pouco dinâmico como Roma, o mexicano indicado ao Oscar de melhor filme em 2019.

 

Parasita não é nada disso. Os diversos plots twists e quebras de expectativa deixam o espectador fissurado na trama, e em saber o que vai acontecer em seguida. Esse apelo levou o filme a ser bem exibido no circuito comercial. Nos EUA, ele é o filme estrangeiro com maior bilheteria por sala de cinema da história. No Brasil, só não foi mais comentado que Bacurau.

 

Segundo o diretor do filme, Parasita conseguiu romper as barreiras linguísticas. Para muita gente, esse pode ter sido o primeiro contato com um filme em coreano. As indicações ao Oscar só contribuíram para colocar o filme em evidência e atingir um público ainda maior.

 

4 – A Coreia do Sul já é uma potência cultural 

Parasita foi o primeiro filme sul coreano a vencer a Palma de Ouro na história do Festival de Cannes. O país nunca havia emplacado um indicado nem mesmo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

Mas ele é só a ponta de um iceberg cultural. O sucesso de Parasita coincide com a avalanche de internacionalização da Coreia do Sul. O país começou a reinventar a cena cultural na década de 1990, começando com as novelas coreanas (K-Dramas), tem uma das melhores indústrias cinematográficas do mundo (que há tempos produz filmes cultuados – caso de Oldboy, (2003), uma das produções de terror mais aclamadas da história. Ainda na esfera cultural, a Coreia do Sul também pode chamar de seu um um dos maiores exemplos de sucesso de todos os tempos: o K-Pop, que lota estádios no Ocidente, e faz jovens brasileiros apreenderem coreano para cantar junto.

 

Hoje, todo mundo tem alguma referência da Coreia do Sul, seja pelos inúmeros grupos de música pop, pelos carros (Hyundai, Kia), pelos celulares e eletrodomésticos (Samsung, LG), seja pelos produtos de beleza (Missha, COSRX).

 

Parasita é bem diferente do K-Pop, claro. Ele mostra a parte “ruim” do país, oculta sob as cortinas da tecnologia e do desenvolvimento econômico. Ao invés de prédios gigantescos e espelhados, o filme mostra de perto um bairro pobre de Seul.

 

Antes de conseguirem os empregos na casa dos Park, a família Kim tem dificuldade em obter o básico para a sobrevivência, se submetendo ao trabalho de dobrar caixas de pizza. É uma face pouquíssimo conhecida da Coreia do Sul, mas essencial para representar um país em que a economia segue em ascensão, e as desigualdades também.

 

 

fonte: SuperInteressante


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